Quai 58 - Viajando sem sair (tanto) do lugar
Estava sendo um dia sufocante… estar dentro de casa fazendo o que uma adulta precisa fazer, estava sendo mais difícil que o normal e eu precisava de ar, de um café, mas principalmente, eu precisava ver uma paisagem que me acalmasse.
Já escrevi que morar em Floripa é lindo uma grande parte do tempo, embora também uma grande parte do tempo possa ser desafiador para alguém que viveu a maior parte da vida em uma cidade pequena. Aqui tudo é longe ou pelo menos existe a possibilidade de levar muito tempo (nunca se sabe o que o trânsito na ilha reserva). Isso dificulta a convivência com os amigos, estamos sempre fazendo cálculos sobre o tempo… Sem mencionar o clima, ultimamente, veneramos uma hora de sol ou uma possibilidade de praia tanto quanto os povos antigos faziam com seus deuses.
Mas morar na ilha também significa um universo de possibilidades de paisagens e de sabores. Por isso, nós estrangeiros da ilha, sempre temos uma lista de lugares para conhecer. Admito que alguns lugares fecharam antes que eu conhecesse, a lista no entanto não para de crescer.
O dia estava sufocante, a minha lista precisava de mais um check e eu queria ver a Lagoa da Conceição, essa combinação me levou até o Quai 58. Do francês chiquíssimo, quai significa plataforma de trem ou cais em um porto. Neste caso, o restaurante fofíssimo do qual já virei fã, fica em frente ao terminal de barcos que percorre a costa da Lagoa, então creio que seja quai de cais.

Eu só queria ler, estudar um pouco fora do meu habitat e um bom café, mas dei uma olhada no menu e hmmm… Paris, tu me manques… saudades de sentar em qualquer bistrô de esquina e pedir uma sopa de cebola e uma taça de vinho e simplesmente ver a vida passar…


A princípio, pedi um espresso e fiquei lendo meu bom livro e vendo o movimento de quem saia ou pegava o barco, as gaivotas, as crianças brincando na rua…

A tarde foi caindo e tornando tudo ainda mais especial e tranquilizador. Viver na ilha tem suas mazelas, ainda assim, em momentos como esses, me sinto recompensada e abençoada. Embora um pouco em dívida também…
O atendimento foi tão aconchegante que decidi experimentar o quiche lorraine servido com salada bem a moda da Alsácia. A porção é servida em boa quantidade e com boa apresentação. O prato é saboroso e estava generoso em bacon, a massa, confesso eu esperava um pouco mais. Porém no geral, foi bom. Consegui me sentir meio que transportada para o outro lado do oceano, sem ter saído da ilha.

Além do quiche, experimentei também o entrecot e esse sim achei perfeitamente executado: carne ao ponto de verdade, suculenta sem estar quase crua; batata frita perfeitinha e uma saladinha que fechou com chave de ouro.

O atendimento deles é tão gentil e atento, que eu fui ficando. Quando vi era quase noite…
O Quai 58 tem um segundo andar e uma varanda externa com vistas lindas. Aos finais de semanas começando na quinta, tem vários eventos com música, bebidas em dobro e degustações. Dá para conferir tudo no Instagram deles: @quai58floripa
Apesar de Floripa ter muitas opções, sempre temos nossos queridinhos e esse lugar com certeza já é um dos meus. Ganhou meu coração quando me permitiu respirar, permanecer com calma e me acolheram com atendimento gentil, bom café e boa comida. Me conta aí, se você tem esses lugares do coração, mesmo não sendo em Floripinha. Vamos enriquecendo nossas listinhas ;)







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